Em discurso contundente na Tribuna da Câmara, a parlamentar detalhou o acúmulo de dívidas com fornecedores e criticou a manipulação da Receita Corrente Líquida (RCL) para justificar novos empréstimos.
BARREIRAS – O cenário das contas públicas de Barreiras foi o tema central de um pronunciamento técnico e politicamente afiado realizado nesta semana na Câmara de Vereadores. Com números oficiais em mãos, a oposição trouxe à tona um passivo financeiro que ultrapassa a marca dos R$ 54,4 milhões, alertando para o que classificou como uma "crise de gestão" camuflada por narrativas oficiais.
De acordo com os dados apresentados, a Prefeitura de Barreiras acumula hoje R$ 39.909.699,14 em restos a pagar processados — ou seja, serviços que já foram prestados, atestados pela administração, mas que permanecem sem pagamento. Somados aos R$ 14,5 milhões de restos a pagar não processados, o montante chega a R$ 54.426.383,19.
"Isso não são números frios. São empresas que confiaram no poder público e trabalhadores que dependem desses pagamentos. Não existe responsabilidade fiscal quando se deixa de pagar quem já trabalhou."
Um dos pontos mais técnicos e graves da denúncia diz respeito à Receita Corrente Líquida (RCL). A parlamentar acusou a gestão municipal de tentar inflar indicadores e distorcer a base da RCL — principal termômetro da capacidade financeira de um município — para induzir a população e os órgãos de controle ao erro.
Segundo a denúncia, a prefeitura estaria utilizando uma "manobra de percepção fiscal" ao apresentar receitas projetadas como se fossem solução para dívidas reais acumuladas.
"Receita não é dívida e receita projetada não resolve passivo. O que estamos vendo é uma tentativa de maquiar a realidade fiscal para sustentar uma gestão que, na prática, não fecha as contas."
O discurso também serviu como uma resposta direta às tentativas da gestão de contrair novos financiamentos. A vereadora relembrou sua atuação jurídica para barrar um empréstimo de quase R$ 60 milhões durante o período eleitoral, justificando que a medida foi necessária para proteger o equilíbrio do município.
"Quem não honra o que já deve, não pode e não deve assumir novas dívidas. A Câmara não deve a fornecedores e não criou esse passivo. Quem administra precisa assumir a responsabilidade em vez de transferir culpas."
Ao encerrar o pronunciamento, a vereadora reafirmou que manterá a postura vigilante contra "acordos de bastidores" e propagandas que, segundo ela, não condizem com a realidade das ruas e do caixa municipal.
"Barreiras não precisa de maquiagem contábil, precisa de verdade. Fui eleita para defender o povo, e não para me calar diante de indicadores distorcidos."